16 de janeiro de 2018

UMA CAPELA INSUSPEITA


Este sábado, dia de meteorologia temperamental, tivemos mais um Encontro PoSk (Porto Sketchers), desta vez na Rua dos Caldeireiros. Depois de um saboroso almoço (com uns filetes de polvo deliciosamente tenros), dirigimo-nos calmamente, rua abaixo, à procura do que apetecesse desenhar. Na verdade, apetecia tudo: a rua tem tanto de íngreme como de típica. De repente, à esquerda, surgiu o que parecia uma casa com um enorme oratório ao nível do primeiro andar. Era uma capela! Capela de Nª Senhora da Silva, dizia a placa, com oratório do séc. XVIII. Parámos logo ali, claro. O meu desenho, muito fracote e com erros crassos de perspectiva que tentei corrigir atabalhoadamente, ficou assim:


Quase no final da sessão de desenho, durante a qual o sol brilhou, um céu que de repente se pôs ameaçador desabou sobre nós com uma chuva gelada. Mas não há elementos que detenham os PoSk! Corajosamente, com guarda-chuvas e arrepios, ainda conseguimos tirar uma bela fotografia de grupo (por Abnose):


11 de janeiro de 2018

DE PAPAGAIO AO OMBRO


Já tinha aqui escrito que, depois do falecimento do Jacinto, o meu canário despenteado, estava com ânsias de adoptar um novo pássaro (leia-se "comprar", já que não conheço onde se adoptem pássaros). Pois bem, eis o Óscar:


É um psitacídeo, um Pyrrhura Hypoxantha, de flancos amarelos sob as asas, oriundo do sudoeste do Brasil. Bastou-me vê-lo na loja de animais, de olho vivo e cabecinha levantada, fazendo-se ao cumprimento, que logo percebi que tinha de ser aquele. Não era o mais bonito, longe disso: havia lá outros com plumagens bem mais coloridas e poupas bem mais majestosas, mas eram apáticos e indiferentes. Também não era o mais económico: outros papagaios mais vistosos eram mais baratos. E também não era, decididamente, o de maior porte: digamos que ao pé de outros parecia um mini-papagaio. Mas este, com a sua cabecita escura, as enormes pálpebras brancas, tipo palhaço, e os olhos bojudos com ângulo (dir-se-ia) de 360º, tipo camaleão, fez-me rir. E a forma como me olhou nos olhos abanando o bico enorme para cima e para baixo derreteu-me o coração. Veio logo comigo para casa. E, em casa, depressa começámos a fazer concorrência aos piratas:


Pois é, de papagaio ao ombro! Na verdade, não tardou muito a que o habituasse a ser mansinho. No início, apanhei umas boas bicadas, que me ficavam cravadas nos dedos depois dos meus guinchos agudos. Mas usando da velha técnica de lhe dar guloseimas (ou seja, sementes de girassol) quando o tirava da gaiola, logo passou a ser mais simpático e comedido. Em pouco tempo começou a subir-me para o dedo, e depois para o ombro, por iniciativa dele. Agora, as especialidades do Óscar são tentar comer-me os brincos, catar-me o cabelo e exigir carradas de atenção:


Felizmente, a gaiola que lhe comprei tem uma "varanda", ou seja, uma das paredes abre-se e permite que ele fique livre, sendo-me também mais fácil pegar-lhe. Tornou-se um mimalho de primeira, fechando os olhos e eriçando as penas do pescoço quando lhe dou beijinhos e faço mimos de esquimó...

29 de dezembro de 2017

AO ESPELHO COM A NANÁ


A minha gata costuma aproveitar-se do meu colo durante o inverno, ignorando-me com altivez quando fica calor. Nestes dias mais frios, é certo e sabido: quando me sento, lá vem ela. E eu deixo, claro. Como resistir-lhe? Enroscada sobre as minhas pernas, ronrona deliciada enquanto me autoriza a fazer-lhe festas. Hoje, entre um afago e outro, vi-a tão sossegada que resolvi tentar um retrato. Pedi que me trouxessem um espelho e mo colocassem em frente. Desta vez usei primeiro o lápis — e ainda bem, pois tive de apagar várias vezes. Mas lá acabou por sair, com a roupa amarrotada, a caneta na mão inversa e a Naná a servir de secretária:


E aqui fica o registo do momento em fotografia, com dentes incluídos, na qual se pode ver...

27 de dezembro de 2017

FRÉSIAS SOBRE OCRE


Cá continuo na minha senda botânico-floral. Desta vez, frésias, frágeis e delicadas, sobre fundo manchado amarelo-ocre:


O processo, lento e agradavelmente calmante, foi como fazer renda com a caneta:


7 de dezembro de 2017

TRÊS JACINTOS


Continuo com as minhas experimentações (deliciadas) no desenho botânico. Desta vez, jacintos — bolbosos e carnudos, também sobre fundo liso, monocromático. O papel, igualmente grosso e texturado. E dezenas de pequenas flores, frágeis e vibráteis, recortadas sobre o verde:


Não, este não é um "sketch" dos que costumo fazer. Muito menos daqueles de alegados 15 minutos. E também não tem nada de "urban". Mas estou a adorar. Aqui me vêem, pontinho a pontinho, a avançar laboriosamente nas caprichosas formas vegetais:


5 de dezembro de 2017

LILIUM SOBRE AZUL


"Lilium", nome científico do lírio, uma das mais belas flores de entre as flores mais belas. Aqui, tentei desenhá-lo com traço clássico, como nas ilustrações botânicas do século XIX, com pontilhados e sombreados. E tentei que o tratamento da cor, manchada, apenas no cenário, lhe desse algo de inacabado:


29 de novembro de 2017

ZOE


Uma menina-mulher, com folhos e um cabelo imenso, a abrir — e a fechar — novembro:


29 de setembro de 2017

OS ALIADOS E A CASCATA DO SIZA


Quem passa de carro quase não a nota. Mas naquela manhã de sábado, no início de Junho (como o tempo corre!), fiz os Aliados a pé, desde a Praça da Liberdade até à Câmara. Toda a zona central da avenida foi, como se diz agora, "intervencionada" pela dupla Siza Vieira - Souto Moura. E foi lá em cima que, para surpresa minha, descobri a tal cascata, com a água a escorrer pelos degraus altos e a ficar retida num espelho de água. Resolvi parar mesmo ali e fazer um desenho:



A manhã estava linda, com uma aragem cálida de Primavera. Mas foi preciso chegar o Outono para eu dar finalmente cor ao desenho – cor q.b., por sinal! No local, as linhas ficaram bem mais sóbrias:


25 de setembro de 2017

BEACH BODIES II


Se não me despacho, não tarda nada chega o Inverno e ficamos com arrepios ao ver gente em traje de banho... Segundo conjunto da série "playera", com mais seis veraneantes, estes todos de inspiração "catwalk": 


Já só falta mais um para terminar esta longa empreitada das pessoas vistas de trás a caminhar.

4 de setembro de 2017

BEACH BODIES I


Agora que o Verão se aproxima do fim é que eu venho falar de praia — ou melhor, de quem por ela se passeia, na areia molhada, pela orla das ondas. De biquíni ou calção de banho, com ou sem chapéu, rápido ou devagar, com companhia ou solitariamente. Uns mais pálidos, outros mais tostados. Comum a todos, uma vez mais, a perspectiva — olhados de retaguarda:


31 de agosto de 2017

DO PÊSSEGO AO CHOCOLATE


É tão interessante tentar captar a diversidade das cores da pele humana. A paleta é realmente extensa, nada tendo a ver com a antítese Ebony and Ivory que cantavam Paul McCartney e Stevie Wonder. Misturando carmim e ocre em diferentes proporções e densidades conseguem-se os tons mais rosados, pálidos ou amarelados da pele caucasiana. Com os terra de siena crus e queimados lá se vai dando alguma ideia de tudo o que se mistura para além disso e que em nada se equaciona com a cor negra. Aqui ficam dois exemplos de cada, por sinal em corpos particularmente esbeltos e harmoniosos – também eles em caminhada de afastamento:


26 de julho de 2017

IDADES


Mais um da série "pessoas que se afastam". Desta vez, aconteceu desenhar o que parecem ser estádios etários bem distintos: a infância, a adolescência, a idade adulta e a terceira idade. É curioso ver-se a diversidade das indumentárias, aqui enriquecida por um pozinho de especiarias da Índia:




19 de julho de 2017

UM HOMEM E TRÊS MULHERES


Não, não é poligamia. É apenas a combinatória inversa do "post" anterior, feita igualmente ao acaso e com a mesma temática: figuras aleatórias a caminhar pela rua, vistas de costas. Também aqui se misturam as estações, mas desta vez igualmente as mãos: há um casal que caminha de dedos enlaçados. Já as senhoras protegem as mãos do frio metendo-as nos bolsos.


17 de julho de 2017

VERÃO VS. INVERNO


Cá continuo, toda divertida, com os meus estudos de pessoas em movimento. Desta vez, uma indumentária de Verão, feminina, lado a lado com três espécimes invernosos, masculinos. Só o cão é uni-estação – e de sexo indefinido. Deixemo-lo assim, qual ser angélico a vogar por esferas livres, sem normas nem atavios. (Mesmo nessa dimensão, fazia-lhe bem uma dieta.)




13 de julho de 2017

GENTE QUE PASSA


Dois estudos sobre a figura humana:



Poucas coisas me dão mais prazer do que desenhar pessoas. Estas, cheias de Verão e tranquilidade, sabem-me já a férias...