21 de maio de 2018

BASÍLICA DI SAN MARCO


Regressei a Veneza depois de... 33 anos! Bem, não nos detenhamos a fazer contas 😅 e passemos ao que interessa: desenhos! E que cidade esta para desenhar!... Na realidade, o maior problema é escolher o quê, pois tudo se presta, tudo convida, tudo nos interpela. E depois há os monumentos incontornáveis, como a Basílica de S. Marcos, portento bizantino de uma beleza inesgotável. Todos os caminhos — e são tantos, na cidade labiríntica — a anunciam: "Per San Marco"... Pois bem, foi o meu primeiro desenho, muito aldrabado perante a profusão de detalhes e a riqueza dos pormenores:

A moldura humana que acrescentei à aguarela estava praticamente ausente do meu desenho in situ: 

 
As pombas, essas, são uma constante na cidade inteira. E aqui estão elas, e eu, antes de uma carga de água que subitamente se abateu sobre Veneza:
 
 
Aqui vêem-se também os três mastros vermelhos, com leões alados bem dourados no topo, que eu ignorei no meu desenho...
 

15 de maio de 2018

CADEIA DA RELAÇÃO


Ando às arrecuas na publicação dos meus desenhos... Só agora surge o que fiz no Encontro "PoSk na Páskoa". Na tarde do dia 1 de Abril, um sábado, já depois do almoço, houve digressões pelas redondezas de Carlos Alberto (o ponto de encontro inicial). Na Cordoaria, desenhei a esquina da prisão onde Camilo penou de amores... 



Pus pós de perlimpimpim nas cores, pois o dia estava tristonho...
 
... mas isso não afectou a nossa boa disposição! Aqui fica a fotografia de parte do grupo: aparecemos eu, o Abnose, o Rui, a Leonor e o Américo, todos sentados em filinha nas costas das letras do PORTO (a Elisabeth tirou a fotografia):



12 de maio de 2018

O TOURO E A ROSA


E aqui está o meu terceiro e último desenho do Encontro USkPN em Ponte de Lima. Estava eu a desenhar a Matriz, sentada no meu banquinho, quando um grupo de miúdos se acercou. Pergunta para aqui, pergunta para ali, depressa entabulámos conversa. Dali a pouco já se tinham transformado em peritos, a dar-me conselhos de toda a ordem sobre como fazer o desenho. Uma das crianças, uma menina adorável chamada Patrícia, pediu-me então que lhe fizesse o retrato. "O teu retrato?", perguntei eu. "Mas eu estou aqui é para desenhar a cidade, sabes?" E ela: "Então desenhe ali aquela estátua, que eu vou para cima dela" — e apontou para a "Vaca das Cordas", um dos elementos mais populares da simbologia da cidade. Como recusar? 

A pequenita, de 6 anos, aguentou firme durante os oito a dez minutos que o desenho durou, empunhando uma rosa, presente que estava reservado para o dia seguinte, o Dia da Mãe. Os outros miúdos iam dizendo: "A senhora está a desenhar-te o pé... e agora a perna... e agora as costas... Não te mexas! Agora está a desenhar-te a cara...":

Finda a sessão, e tendo tido a aprovação da retratada e da mãe, entretanto chamada ao seu café ali perto, não resisti a tirar uma fotografia com os meus companheiros artísticos. A modelo da rosa é a menina agachada junto a mim, sempre a sorrir:

9 de maio de 2018

À ESQUINA DA MATRIZ


Findo o almoço de grupo em Ponte de Lima, fui sentar-me junto à Igreja Matriz, na frescura da sombra do prédio em frente. Estando tão perto do motivo, e sendo o dito tão monumental, tive de optar por uma perspectiva de afunilamento:

 
Foi um desenho rápido para o que é costume em mim (cerca de 40 minutos) e depressa o pude fotografar, dando a tarefa por concluída:  
 
 
O desenho teve ainda a vantagem de atrair um grupo de crianças que por ali andavam a brincar, junto das quais a conversa foi bastante animada... Ora vejam o meu ar de satisfação junto a eles, mostrando o desenho à Elisabeth Mata e ao Vicente Sardinha:
 
 E, aqui, todos nós a admirar a obra do Vicente:
 
 
Este desenho, pelo prazer que me deu fazê-lo em boa companhia, não vou eu esquecer tão cedo, tenho a certeza!
 

6 de maio de 2018

A PONTE DE PONTE DE LIMA


Foi este sábado o 36º Encontro dos USkPN, organizado em conjunto com a CIM (Comunidade Intermunicipal do Alto Minho) e inserido no Ciclo “Sketching com História”. Com um sol glorioso e um grupo animado e cheio de talento, o encontro não podia ser senão um sucesso! O meu contributo foi de três desenhos. O primeiro, ainda de manhã, captou um dos ex-libris da cidade: a Ponte Velha. O nome é justo, pois a dita tem um troço romano de 7 arcos (do séc. I) e outro medieval (do séc. XII) de 17 arcos. Do outro lado, surge a Igreja de Santo António da Torre Velha:
 
Fiz o desenho a partir de uma esplanada, onde me pude sentar confortavelmente (um luxo, nestas lides de urban sketching!):
 
 
E, como o tempo voa quando estamos a fazer algo de que gostamos, depressa chegou a hora do almoço... Depois mostro o que desenhei à tarde, mas antes deixo aqui a fotografia de grupo, cortesia dos USkPN (eu estou de castanho, sentada na relva):

 

1 de maio de 2018

NA PRAÇA DO GIRALDO


O meu terceiro e último desenho de Évora foi, como não podia deixar de ser, a praça mais conhecida da cidade, com a Igreja de Sto. Antão ao fundo. Da célebre fonte quinhentista, só um vislumbre aqui se vê, e foi uma sorte, pois com o vento gélido que havia este sábado de manhã, quase larguei caderno, caneta e tudo!


Devo acrescentar que a minha versão ficou mais luminosa, e "alentejana", que a realidade — bem mais tristonha antes do meu regresso a casa:


29 de abril de 2018

MAIS ÉVORA AO ENTARDECER


Não se pode dizer que seja um ângulo muito original, mas diga-se em meu abono que é a melhor prova do meu afã "desenhístico" pela cidade:

Conhecem aquela esplanada mesmo em frente ao Templo de Diana? Aproximavam-se as 19 horas, o sol já ia baixo, a temperatura também, e o empregado já se afadigava a acorrentar a mobília para o encerramento do estaminé. Mas, vendo-me tão concentrada no desenho, com a gola do casaco levantada e a meia de leite a arrefecer, compadeceu-se e lá me deixou ir ficando. Quanto dei por terminada a empreitada "arqueológica", vi-me sozinha, rodeada de castelos de mesas e cadeiras, com as orelhas geladas mas com as pedras ancestrais bem guardadas no meu caderno...
 
 

27 de abril de 2018

TELHADOS DE ÉVORA

Agonia
dos lentos inquietos
amarelos,
a solidão do vermelho
sufocado,
por fim o negro,
fundo espesso,
como no Alentejo
o branco obstinado.
(Eugénio de Andrade)
Vistas do meu hotel, ontem ao entardecer...


Não sei bem aonde fui buscar tantas cores! Acreditem que, no ar morno do fim do dia, a paleta alentejana era tipicamente branco-sobre-branco, ou aquele "branco obstinado" de que fala Eugénio de Andrade:


Devo ter sido atingida por uma epifania supra-sensorial... Seja como for, como é linda Évora!
 

21 de abril de 2018

NO CARVALHIDO, À CHUVA


Ora vamos lá a fazer uma publicaçãozita aqui no blogue, a ver se ele ressuscita!

Depois de uma semana abençoada de sol, eis que a tarde de sábado nos reservou um belo brinde. Mas os PoSk não se deixam intimidar: uma dependência do Multibanco mesmo em frente da antiga Igreja Paroquial do Carvalhido, no Porto, caiu-nos... do céu. E saiu um desenho:


No local, um cruzamento movimentado e barulhento que o esboço não conseguiu traduzir, o registo foi este, aqui mostrado numa fotografia tenebrosa que nem eu consigo explicar:


Vêm aí mais encontros de desenho, pelo que espero pôr aqui mais notícias em breve!

17 de março de 2018

FUNDAÇÃO CUPERTINO DE MIRANDA...


... em Famalicão. Foi hoje à tarde, depois da visita à exposição dos PoSk, que fiz este desenho, no primeiro dia de sol após duas semanas de intensa chuva, vento e frio. Só por isso — mas talvez só mesmo por isso — já merece aqui estar. É que, não contente com o primeiro grande erro, o de fazer um edifício esparramado de frente, decidi cometer o segundo: espetar com o elemento saliente mesmo no meio do desenho. Céus, lixo com ele! Em casa pus as cores, bastante garridas (terceiro erro, para não contar outros), aqui ficando o triste resultado:
 
 
Os azulejos com desenho abstracto tão típicos da torre estavam cobertos por um taipal gigantesco, anunciando a urbe como centro português do surrealismo. O sol, esse, não estava coberto, brilhando calidamente na Praça D. Maria II:


4 de março de 2018

RUA DE S. VÍTOR


Mais de um mês depois, eis-me de volta. Foi um Fevereiro cheio de afazeres, daqueles que passam sem deixar rasto nem mossa. E volto com um desenho já feito há algum tempo mas só pintado hoje, neste domingo de chuva tão tristonho e escuro. O desenho, esse, fi-lo numa tarde de sol, sentada num banco da Rua de S. Vítor, com a igreja homónima em frente e os prédios de cada lado. Em pleno passeio, um carro, como é costume naquela zona por causa dos stands de automóveis que ali há:



Foi bom voltar a pintar, como é sempre aliás. Mas tenho sempre receio de o fazer quando gosto do desenho, por não saber o que dali vai sair. E o desenho, de facto, agradou-me quando o fiz, meio incompleto e meio torto, como também o é aquela rua antiga de Braga:


Claro que as cores ficaram tudo menos fiéis à realidade. Mas hoje não quero pensar na realidade.

2 de fevereiro de 2018

SUCULENTA DALTÓNICA


Tratos de polé, é o que eu dei a este pobre vaso de suculentas que tenho cá em casa. Pareceram-me tão viçosas e bonitas ao sol de inverno que me aventurei a desenhá-las. Logo à partida dei um bom pontapé na perspectiva do cache-pot. E depois, céus, a aguarela. Mal sabia eu que ia ser tamanho desafio: que cor era aquela das folhas carnudas, afinal? Verde não, mas esverdeado, ténue e tímido, talvez. Azul também não, mas em certas partes, até sim. E as flores e os caules? Carmim? Lilás? Ou violeta? Já nem vou falar nas sombras... Enfim, eis a bela salada que ali preparei:


Para fazer justiça à planta maltratada, mostro-a aqui na sua versão intacta:


Nota paralela: hoje, no pino do inverno, estiveram 18ºC. E este fim-de-semana, em Leça, 20º! Talvez tenhamos que nos transformar em suculentas para aguentar a médio prazo as temperaturas deste planeta em aquecimento...

29 de janeiro de 2018

FIM DE ANO NA ESTAÇÃO


Ando com os desenhos atrasados e com a agenda baralhada. Este Encontro dos PoSk / Porto Sketchers foi antes do que mostrei aqui, mas só agora o publico. Aconteceu no dia 30 de Dezembro, um dia antes do Ano Velho, portanto. Um sábado à tarde — cheio de gente, e ruído, e compras de última hora. Já no ano passado ali nos tínhamos encontrado, e eu desenhei a Estação de S. Bento vista do outro lado da rua. Desta feita, optei por me sentar num dos degraus da Estação, olhando de frente para a Rua Mouzinho da Silveira. O desenho, com três guindastes incluídos e a Sé do lado esquerdo, ficou assim:



Perto do solstício de inverno, o sol pôs-se cedíssimo, pelas cinco da tarde, iluminando a partir da zona do rio os prédios ascendentes. Felizmente eu já estava a dar a "obra" por concluída. É um relevo acidentado e complexo, este da zona de S. Bento e da Sé:


E aqui estou eu, compenetrada no meu afã "desenhístico", (bem) apanhada pelo Abnose:


Um mestre da rapidez e do traço (o Paulo J. Mendes) captou-me neste curioso retrato, feito em menos de 5 minutos:


E aqui estamos todos, bem sorridentes e com a sensação de dever cumprido:

Esperemos que, em Dezembro, haja de novo uma despedida de ano neste sítio, que é afinal um dos locais mais típicos, rudes e barulhentos do Porto!

23 de janeiro de 2018

POR CASA


Desenhar também é bom no aconchego do lar, sobretudo num dia frio e cinzento — e ainda mais se for domingo. Para não enferrujar a mão pus-me anteontem a rabiscar a sala, a partir do sofá. O esboço lá foi saindo, com um pontapé aqui e outro ali, esticadelas por um lado e encolhimentos por outro:



Mas pintar é que não é nada fácil quando as cores são o branco sobre branco e vários tons neutros. Enfim, lá me valeram os apontamentos de cor dos objectos e dos livros. A luz, essa, esteve sempre tímida, e depressa se apagou, com o sol a pôr-se pelas cinco e meia. Que saudades dos dias grandes de Verão!


16 de janeiro de 2018

UMA CAPELA INSUSPEITA


Este sábado, dia de meteorologia temperamental, tivemos mais um Encontro PoSk (Porto Sketchers), desta vez na Rua dos Caldeireiros. Depois de um saboroso almoço (com uns filetes de polvo deliciosamente tenros), dirigimo-nos calmamente, rua abaixo, à procura do que apetecesse desenhar. Na verdade, apetecia tudo: a rua tem tanto de íngreme como de típica. De repente, à esquerda, surgiu o que parecia uma casa com um enorme oratório ao nível do primeiro andar. Era uma capela! Capela de Nª Senhora da Silva, dizia a placa, com oratório do séc. XVIII. Parámos logo ali, claro. O meu desenho, muito fracote e com erros crassos de perspectiva que tentei corrigir atabalhoadamente, ficou assim:


Quase no final da sessão de desenho, durante a qual o sol brilhou, um céu que de repente se pôs ameaçador desabou sobre nós com uma chuva gelada. Mas não há elementos que detenham os PoSk! Corajosamente, com guarda-chuvas e arrepios, ainda conseguimos tirar uma bela fotografia de grupo (por Abnose):